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#9 Facilitar a criação coletiva de racionais de decisão

Você provavelmente já leu em diversos contextos que a pandemia não criou ondas de mudança e sim acelerou ondas de mudança que já vinham acontecendo no mundo em menor velocidade.


O mundo, que já vinha mudando, já demandava mudanças no jeito de fazer gestão e consequentemente no jeito de se exercer a liderança em uma organização. Desde a revolução industrial até o início do século XXI, as organizações estavam majoritariamente organizadas em uma estrutura de cadeia de comando e controle, o que na prática, significa centralizar e hierarquizar a tomada de decisão.

Para aquele momento do mundo era o modelo mais eficiente.


Com a digitalização do ambiente de trabalho e principalmente com a digitalização da comunicação, as estruturas organizacionais puderam ir se horizontalizando, processo que segue acontecendo, cada empresa no seu tempo, e faz com que o processo de decisão se aproxime cada vez mais da ponta e isso muda drasticamente o papel da liderança nesse processo.


A velocidade da informação e das interações não é consequência direta da pandemia, a grande mudança de comportamento nesse sentido tem pouco mais de uma década, muito fundamentada pelo smartphone.


Com processos digitalizados, automatizados e bem definidos, não só as pessoas passam a ter maior facilidade para operar e organizar atividades, mas cada vez mais têm acesso a todo tipo de backlogs desses fluxos.


Toda essa cadeia faz com que seja possível se absorver para o processo decisório muito mais da inteligência coletiva e é responsabilidade da liderança conseguir servir o processo decisório com essa inteligência.


Se no passado o líder que fosse se aconselhar com seus liderados sobre uma decisão a ser tomada poderia ser percebido como uma liderança fraca, essa nova visão prova exatamente o contrário. Centralizar o processo de decisão ignora o controverso, fragiliza a solução e não cria pertencimento. Absorver contribuições dos impactados no processo de decisão fundamenta a escolha, reduz as fricções e engaja na mesma direção. Tão importante quanto fazer é como fazer, o desafio da execução.


Os dois aspectos chave para executar bem essa nova lógica de tomada de decisão são governança e critérios.


Governança basicamente são as regras de negócio que vão impedir os conflitos de interesses e desvios de decisões que prejudiquem a organização. É a definição de qual limite de gastos tem cada pessoa na empresa, quem precisa aprovar cada tipo de contrato, quem é responsável por o que dentro do negócio, etc. Critérios são construídos considerando as variáveis específicas de cada decisão e servem para fundamentar as decisões. É o conjunto de métricas que vão avaliar um canal de vendas, que vão priorizar os treinamentos dentro da empresa, que vão determinar os aumentos de salários das pessoas, etc.


É papel da liderança garantir a governança e liderar sua equipe para a escolha dos melhores critérios de decisão. Quanto melhores os critérios de tomada de decisão, mais claro o racional para a equipe, mais coesa a equipe. Quanto piores os critérios de tomada de decisão, mais confuso fica para a equipe, mais dividida estará.


Não é mais sobre ter experiência e coragem para tomar decisões e sim sobre ter capacidade de facilitar pessoas para a construção das decisões.

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