Facilitação e vulnerabilidade

Atualizado: 14 de jan.

Nós já conversamos sobre as 6 competências da facilitação e esperamos que você já esteja no seu dia a dia treinando e praticando. Elas vão ser importantes para ter em mente no artigo de hoje, mas se não lembrar de tudo então clique aqui para ver as últimas três que discutimos.


Hoje nós vamos falar de uma coisa que não é bem uma competência, mas que é totalmente sinérgico de toda a discussão que estamos falando e também é premissa para nos colocarmos nessa posição de facilitação.


Então não está nas competências, mas é um negócio que permeia e passa talvez por todas elas. Que negócio é esse? Nada mais é que vulnerabilidade.





E o que é vulnerabilidade? É estar realmente exposto e vulnerável ao outro. É estar aberto ao outro e assim ele te enxerga por completo. Ele enxerga as suas imperfeições, as suas deficiências, as suas dificuldades e está tudo bem com isso. Isso quer dizer que ele tem por onde se conectar com você.


Uma pessoa que não se coloca vulnerável não oferece nenhuma forma de criar sinergia, de criar um vínculo, porque a pessoa está fechada. O contrário acontece com a pessoa vulnerável. Ela está aberta. Está disposta e exposta a relação. E por esse fato, nós conseguimos gerar uma conexão com outras pessoas.


Então o que queremos dizer aqui? Queremos dizer que na prática, se você se colocar vulnerável, mostrar as suas dificuldades e assumir as coisas que possui de defeito faz você se conectar melhor com as pessoas.


E não somos nós que estamos falando isso. Quem está falando é provavelmente a maior estudiosa de vulnerabilidade do mundo: Brené Brown. Ela tem um dos TED talks mais assistidos da história chamado O Poder da Vulnerabilidade. Se quiser acessar o TED, que possui legenda, é só clicar aqui. E se quiser se aprofundar no tema ela também possui um livro que fala sobre a Coragem de Ser Imperfeito.


Para dar um exemplo prático, existe um outro TED que é de uma filósofa norte americana chamada Onora O'neill onde ela fala que o gatilho da vulnerabilidade é o principal gatilho para gerar confiança.


Ela dá o exemplo de uma empresa de meias, sendo a promessa de marca dela a frase ‘Compre as nossas meias. Se você não gostar, devolva que nós devolvemos o seu dinheiro’. O que ela está fazendo aí? A empresa está se colocando vulnerável. Mas porque? Porque você pode levar as meias para casa para usar e se mesmo assim não gostar, você tem todo o direito de devolver e ter o seu dinheiro.


Automaticamente, o que vem na cabeça? A empresa não iria fazer isso com uma meia ruim que o cliente de fato queira devolver, então eu passo a confiar que aquela meia funciona bem pelo fato dele estar disposto a devolver o meu dinheiro. Ele está exposto, disposto e vulnerável na relação. Na hora que chegar na empresa e disser que não gostou da meia, você consegue pegar o seu dinheiro de volta.


Então essa lógica da vulnerabilidade por trás do processo de formação de confiança é o que o facilitador ou facilitadora precisa praticar o tempo inteiro. Porque quanto mais as pessoas confiarem em você, genuinamente, mais essas pessoas estarão confortáveis a serem facilitadas e terem as suas jornadas facilitadas por você. A recíproca também é verdadeira. Quanto menos o grupo confiar em você menos o grupo vai te dar espaço para você facilitar qualquer processo para ele.


Então se colocar vulnerável ter a ver com confiança e confiança tem a ver com conexão, com trabalho de grupo, com capacidade de exercer esse lugar que estamos trabalhando junto de vocês a tantas semanas, que é o lugar da facilitação.


Nos vemos no próximo artigo.


Fula - sócio fundador da Akasha

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